Friday, December 2, 2011
Empresas se preocupam em integrar funcionários estrangeiros / #VALOR ECONOMICO ONLINE
Empresas se preocupam em integrar funcionários estrangeiros
Por Letícia Arcoverde | Valor
Mariana Barros, sócia da Differänce, diz que a procura por workshops que impulsionam a integração de estrangeiros à cultura brasileira aumentou desde 2008
SÃO PAULO - Começar em um emprego exige adaptações a novos ambientes e responsabilidades. Quando se soma a isso o fato de estar em um país estrangeiro, de cultura diferente e costumes desconhecidos, os desafios de integração são ainda maiores. Com a chegada crescente de estrangeiros para trabalhar no Brasil, os departamentos de recursos humanos estão cada vez mais atentos à necessidade de promover ações que melhorem a adaptação dos expatriados e estimulem a integração entre funcionários locais e estrangeiros.
A consultora Mariana Barros, sócia da Differänce, que oferece assistência a expatriados, explica que a procura por workshops que impulsionam a integração de estrangeiros à cultura brasileira vem crescendo há cerca de três anos. Desde 2010, no entanto, o serviço mais procurado pelas empresas é o treinamento de diversidade, que auxilia os funcionários a interagir com as diferenças no ambiente de trabalho. Os mais populares focam na capacitação de equipes brasileiras para trabalhar com times de estrangeiros, e reforçam desde a importância da língua inglesa até a cultura de países que fazem negócios com os grupos daqui.
As iniciativas melhoram o ambiente de trabalho e a relação entre brasileiros e expatriados. A consultora explica que é comum os estrangeiros interagirem apenas entre si, desenvolvendo grupos sociais próprios, o que pode afetar a rotina profissional e atrapalhar os negócios. Segundo ela, os RHs estão atentos a isso e passaram a investir em programas que derrubam as barreiras culturais e promovem a integração de todos os funcionários.
É o caso da LG Brasil, que costuma receber pelo menos cem estrangeiros por ano, a maioria vinda da matriz, na Coreia do Sul. Ao perceber que os expatriados costumavam se relacionar muito entre si, o RH desenvolveu o projeto “Local Brother”. Nele, funcionários brasileiros se voluntariam para servir de “irmão” local e receber os estrangeiros que chegam à empresa fora do ambiente de trabalho. A intenção é mostrar aspectos simples, mas importantes, do cotidiano local para os recém-chegados e suas famílias, facilitando a integração não só dentro da empresa, mas com a cultura nacional. As atividades já realizadas vão desde oferecer dicas na hora de fazer supermercado ou escolher o melhor restaurante até assistir jogos de futebol ou andar a cavalo na casa da família no interior do Estado.
O gerente geral de RH da empresa, Victor Matheus, explica que o objetivo é aproveitar as diferentes culturas para enriquecer o ambiente profissional e a relação entre os funcionários, e não tratá-las como um obstáculo. O programa, que acabou de ser implementado, já formou quatro pares entre voluntários brasileiros e estrangeiros que chegaram ao escritório de São Paulo desde o início do projeto. Matheus agora estuda promover duplas também entre expatriados que já estão há um tempo na empresa.
Acostumada a receber a cultura coreana da matriz, a LG também promove palestras sobre o país asiático para os funcionários brasileiros. Para Matheus, melhorar o entendimento e a convivência entre os locais e os expatriados é essencial para usar o melhor de culturas diferentes e trabalhar a favor da empresa.
(Letícia Arcoverde | Valor)
http://www.valor.com.br/carreira/1042084/empresas-se-preocupam-em-integrar-funcionarios-estrangeiros
Tuesday, May 4, 2010
Diferenças culturais moldam a resposta europeia à crise grega
04/05/2010
Diferenças culturais moldam a resposta europeia à crise grega
Katrin Bennhold
Em Paris (França)
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, durante encontro no Palácio Elysee, em Paris, na França
Poucas semanas após a falência do Lehman Brothers e o mergulho do mundo na crise financeira, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, deu este conselho aos banqueiros incautos, aos consumidores endividados e aos governos gastadores: sejam mais como uma dona de casa alemã.
Discursando para os companheiros democratas cristãos na região da Suábia, no sudoeste alemão, centro da ética de trabalho protestante e das famosas Mittelstand alemãs, Merkel disse que a crise financeira poderia ter sido evitada. “Bastaria ter perguntado a uma dona de casa suábia”, ela notou em 1º de dezembro de 2008. “Ela nos teria dito sua sabedoria comum: a longo prazo, não dá para viver acima de sua renda”.
Agora, enquanto a Europa luta para evitar sua própria experiência Lehman, salvar a Grécia e consequentemente o euro, o episódio diz muito sobre os alemães e sua líder.
Leia mais sobre a crise financeira grega:
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Liderados pela França, os vizinhos da Alemanha pressionam há meses para que o país, que possui a maior economia do continente, empregue seu peso financeiro em apoio ao pacote de resgate e um novo sistema de governança econômica para a zona do euro. No processo, uma Berlim relutante foi chamada de irresponsável, egoísta, até mesmo não-europeia.
Mas se a França deseja que a Alemanha seja mais europeia, a Alemanha deseja que a Europa seja mais suábia. E, de novo, para fazer com que a Europa chegasse a um acerto tardio, foi necessário um acordo entre uma alemã –Merkel– e um francês –Dominique Strauss-Kahn, do Fundo Monetário Internacional (FMI)– que se encontraram em Berlim na semana passada, para tirar a Grécia, e a zona do euro, da beira do abismo.
A saga grega fez novamente ferver o choque cultural entre os tradicionais condutores da União Europeia: a Alemanha federativa, com sua fixação por regras e uma frugalidade instintiva, enraizada em traumas econômicos passados, e uma França republicana, com uma tradição de intervenção do Estado e uma postura mais mediterrânea em relação à dívida pública.
Paris e Berlim já tiveram muitos desentendimentos pós-1945, mas poucos tão profundamente enraizados quanto aqueles em torno da governança econômica, disse John Kornblum, um ex-embaixador americano na Alemanha.
“É algo que vem das entranhas, é emocional”, disse Kornblum, que na condição de secretário assistente de Estado para a Europa, nos anos 90, assistiu sucessivos líderes franceses e alemães brigarem sobre como governar a futura moeda única.
Se não há uma estrutura política em vigor para salvaguardar o euro –um vácuo exposto na atual crise da dívida– é porque Alemanha e França nunca conseguiram se entender a respeito de uma, ele disse. “Há diferenças filosóficas profundas entre os dois lados”, ele disse.
Essas diferenças são de muitas formas personificadas por Merkel, filha de um pastor luterano, e por dois franceses ostentosos: o presidente Nicolas Sarkozy, um conservador, e Strauss-Kahn, um socialista.
Sarkozy e Strauss-Khan são rivais e podem até mesmo se enfrentar na eleição presidencial de 2012. Mas eles compartilham a crença na intervenção do Estado, o que une grande parte da elite política francesa.
Um gaullista cujo gosto por marcas caras e amigos milionários não passou desapercebido do outro lado do Reno, Sarkozy primeiro incitou suspeitas alemãs como ministro das Finanças, em 2004, quando impediu a tomada da Alstom, a fabricante francesa de trens, pela Siemens. Como presidente, ele permitiu que o déficit orçamentário subisse acima do limite de 3% da zona do euro, mesmo antes do estouro da crise econômica, e criticou repetidamente a política de taxa de juros do Banco Central Europeu (BCE).
Strauss-Kahn, um natural da Alsácia que fala alemão, foi apelidado de “Sr. Euro” na França e recebe o crédito por ter conduzido seu país para a zona do euro quando foi ministro das finanças, em 1997. Na Alemanha, ele também é lembrado por ter servido sob o então presidente Jacques Chirac, um ferrenho defensor de um contrapeso político para o BCE.
Assim, quando os dois ressuscitaram independentemente os pedidos por um “governo econômico” para os 16 países que compartilham o euro, (e o economista-chefe de Strauss-Kahn no FMI, Olivier Blanchard –outro francês– sugeriu que os bancos centrais deviam considerar uma elevação de suas metas de inflação,) a resistência na Alemanha foi instintiva.
“Cheira a outra tentativa de comprometer a independência do BCE, além de uma de institucionalizar os subsídios alemães não apenas para a Grécia, mas para todo o sul da Europa”, disse um alto diplomata alemão, que se recusou a ser identificado por causa da sensibilidade da situação.
“Quem mais vai pagar? Os franceses?” ele perguntou, notando que o déficit orçamentário francês cresceu para 7,5% do produto interno bruto, mais que o dobro do nível alemão.
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Na Alemanha, onde muitos perderam suas economias duas vezes no século 20 –uma para a hiperinflação em 1923 e de novo na reforma monetária após a Segunda Guerra Mundial– a independência do banco central e a disciplina orçamentária se tornaram parte da narrativa nacional.
O medo da inflação e uma ampla aversão a dívida também ajudam a explicar a grande divergência na percepção da riqueza da Alemanha em casa e no exterior. A 3,3% do PIB, o déficit orçamentário da Alemanha é baixo segundo os padrões da crise e frequentemente citado como justificativa para o apelo à solidariedade de Berlim para com os países mais pobres. Mas os alemães, que absorveram a Alemanha Oriental e enfrentam um declínio de sua população, não se sentem ricos.
“Os alemães temem ir à falência”, disse Kornblum, atualmente um consultor em Berlim.
Jean-Pierre Jouyet, um ex-ministro francês para os assuntos europeus e que atualmente comando o órgão regulador francês do mercado de ações, notou: “A diferença fundamental entre França e Alemanha é que, para os franceses, a estabilidade orçamentária, financeira e monetária é meio para um fim. Para os alemães, é um fim por si só”.
“Os franceses têm uma cultura de conciliação. Há regras, mas nós conciliamos”, ele acrescentou. “Para os alemães, regras são regras.”
Merkel, uma física criada na Alemanha Oriental comunista, tem um estilo de vida trabalhador, parcimonioso, e uma personalidade analítica, um tanto fria, que em muitos aspectos reflete o sistema de valores nacional, disse Gerd Langguth, autor de uma biografia da chanceler de 2005.
Enquanto Sarkozy reside no majestoso Palácio do Eliseu e conta com um exército de servidores, Merkel ainda vive no apartamento no centro de Berlim em que morava antes de sua eleição em 2005 e já foi vista fazendo suas próprias compras.
Mas há limites para os estereótipos nacionais. O antecessor mais expansivo de Merkel, Gerhard Schroder, apoiava os franceses na quebra do limite orçamentário da zona do euro. E nenhum alemão poderia ter defendido o legado do Bundesbank (o banco central alemão) mais vigorosamente do que o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, apelidado por alguns em Paris como “aquele francês em Frankfurt”.
Mas compreender os contextos radicalmente diferentes nos quais as posições alemã e francesa são afiadas é crucial à medida que as duas principais potências da Europa lidam com a crise, disse Jean Pisani-Ferry, diretor da Bruegel, um instituto de pesquisa com sede em Bruxelas.
A verdadeira pergunta, ele disse, é se a Alemanha, que superou outros elementos de sua tumultuada história no século 20, colocará em perspectiva seus traumas econômicos do passado e guiará uma Europa à deriva.
“No final, isto se trata da Alemanha estar ou não pronta para liderar”, disse Pisani-Ferry. “E liderar significa fazer concessões, e não apenas insistir em limites financeiros.”
Tradução: George El Khouri Andolfato
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/herald/2010/05/04/diferencas-culturais-moldam-a-resposta-europeia-a-crise-grega.jhtm
Tuesday, January 12, 2010
Business Going Holistic!
January 10, 2010
Multicultural Critical Theory. At B-School?
By LANE WALLACE
A DECADE ago, Roger Martin, the new dean of the Rotman School of Management at the University of Toronto, had an epiphany. The leadership at his son’s elementary school had asked him to meet with its retiring principal to figure out how it could replicate her success.
He discovered that the principal thrived by thinking through clashing priorities and potential options, rather than hewing to any pre-planned strategy — the same approach taken by the managing partner of a successful international law firm in town.
“The ‘Eureka’ moment was when I could draw a data point between a hotshot, investment bank-oriented star lawyer and an elementary school principal,” Mr. Martin recalls. “I thought: ‘Holy smokes. In completely different situations, these people are thinking in very similar ways, and there may be something special about this pattern of thinking.’ ”
That insight led Mr. Martin to begin advocating what was then a radical idea in business education: that students needed to learn how to think critically and creatively every bit as much as they needed to learn finance or accounting. More specifically, they needed to learn how to approach problems from many perspectives and to combine various approaches to find innovative solutions.
In 1999, few others in the business-school world shared Mr. Martin’s view. But a decade and a seismic economic downturn later, things have changed. “I think there’s a feeling that people need to sharpen their thinking skills, whether it’s questioning assumptions, or looking at problems from multiple points of view,” says David A. Garvin, a Harvard Business School professor who is co-author with Srikant M. Datar and Patrick G. Cullen of an upcoming book, “Rethinking the M.B.A.: Business Education at a Crossroads.”
Learning how to think critically — how to imaginatively frame questions and consider multiple perspectives — has historically been associated with a liberal arts education, not a business school curriculum, so this change represents something of a tectonic shift for business school leaders. Mr. Martin even describes his goal as a kind of “liberal arts M.B.A.”
“The liberal arts desire,” he says, is to produce “holistic thinkers who think broadly and make these important moral decisions. I have the same goal.”
Ever since 1959, when two influential studies by the Ford and Carnegie Foundations chastised business schools as being too vocational, most M.B.A. programs have taken anything but a broad approach to their subject matter.
With few exceptions, traditional instruction has involved separate disciplines like finance, marketing and strategy, with an emphasis on quantifiable analyses and methods. While some valued what a liberal arts background could provide, the dominant view was that those elements had no place in professional business schools.
BUT even before the financial upheaval last year, business executives operating in a fast-changing, global market were beginning to realize the value of managers who could think more nimbly across multiple frameworks, cultures and disciplines. The financial crisis underscored those concerns — at business schools and in the business world itself.
As a result, a number of prominent business schools have re-evaluated and, in some cases, redesigned their M.B.A. programs in the last few years. And while few talk explicitly about taking a liberal arts approach to business, many of the changes are moving business schools into territory more traditionally associated with the liberal arts: multidisciplinary approaches, an understanding of global and historical context and perspectives, a greater focus on leadership and social responsibility and, yes, learning how to think critically.
Two years ago, for example, the Graduate School of Business at Stanford made a sweeping curriculum change that included more emphasis on multidisciplinary perspectives and understanding of cultural contexts. The first-quarter mandatory curriculum, for example, now includes a class called “The Global Context of Management and Strategic Leadership.” First-year students also must take a course called “Critical and Analytical Thinking.”
“If I’m going to really launch you on a career or path where you can make a big impact in the world,” explains the school’s dean, Garth Saloner, “you have to be able to think critically and analytically about the big problems in the world.”
Mr. Saloner says Stanford wants its business students to develop “a lens that brings some kind of principled set of scales to the problem.” In other words, he says, students need to learn to ask themselves, “In whose interest am I making the decision?”
Students in the critical-thinking course explore difficult, broad problems that require value-laden trade-offs. For example, should Google locate its servers for Chinese customers outside China, which might provide inferior service, or inside China, where material could be censored?
But changes like Stanford’s are far from universal. The University of Chicago’s Booth School of Business has decided to keep its disciplined-based approach. “We are happy with what we do, it is good for us and it matches Chicago, our faculty and our values,” said its dean, Edward A. Snyder.
Nancy McGaw, deputy director of the Business and Society Program at the Aspen Institute, a nonprofit that studies leadership issues, said: “We don’t see wholesale changes yet. We’ve been through this enormous crisis and there are some people who are saying maybe we can do things differently and avoid it next time. But many students still go through M.B.A. programs without being touched by this kind of thinking.”
John J. Fernandes, president and C.E.O. of the Association to Advance Collegiate Schools of Business, estimates that only about 25 percent of association-accredited schools are making significant curriculum changes focused on what he calls “the creation of more sustainable leaders.” But he expects that to reach 75 percent in 10 years.
Professor Garvin of Harvard agrees, saying that there is “an imperative for change.” “At this point,” he said, “the forces for change are real, and the need for change is real, and the blueprints are already in process.”
ONE of the most distinctive blueprints being developed is at the Rotman School. In addition to discipline-based courses in areas like finance and accounting, first-year students now take “Fundamentals of Integrative Thinking,” which focuses on understanding and analyzing how people use models in their everyday lives.
For example, Mr. Martin says, students analyze how a book becomes a best seller, and then learn how to break the model down to its core assumptions and logic.
In a followup practicum, students practice what Mr. Martin calls “the art and science of building new models,” using real-world problems, like developing a growth model for an alternative airline or a model for reviving Yahoo Canada.
In the second year, students can take electives ranging from design-thinking classes in the school’s “Design Works” facility to a capstone course taught by Mr. Martin. Called “The Opposable Mind,” this course focuses on developing and practicing the personal skills necessary to be a good integrative thinker and manager.
In one exercise, taken from Mr. Martin’s own experience as a consultant, he videotapes students as they replay a contentious meeting in which two corporate executives disagree on their conglomerate’s strategy. Two other students play consultants, and practice what Mr. Martin calls “assertive inquiry” to explore the assumptions and validity of each executive’s argument. The students then generate new options to try to produce a better outcome.
“We analyze the tape with them and have them repeat it several times to see how they can do better,” says Mr. Martin.
Brant Carson, a 2009 Rotman graduate who now works for McKinsey & Company, says: “I constantly hear Roger’s voice in my head reminding me that everything doesn’t have to be an either/or solution.”
Mr. Martin started working integrative thinking into the curriculum with a couple of elective classes. At the same time, he began marketing the school as a place where students could learn “a new way to think.” Since 1999, Rotman has doubled its enrollment and faculty — changes he attributes to what he calls the school’s growing reputation as a place of innovative thought.
But does Rotman’s curriculum really create a fundamentally different M.B.A. graduate? At least some people think so.
Steve McConnell, a managing partner of NBBJ, an architecture firm based in Seattle, noticed a distinctly different approach in the Rotman students he hired.
“They seemed to be naturally free of the bias or predisposition that so many of us seem to carry into any situation,” he says. “And they brought a set of skills in how you query and look into an issue without moving toward biased or predetermined conclusions that has led to unexpected discoveries of opportunity and potential innovation.”
For example, he says, the approach allowed one Rotman graduate to see that a major NBBJ health care client needed fewer facilities than conventional studies indicated — an insight that saved the client a significant sum.
Innovation, of course, is a business buzzword. So some business schools are embracing an innovation-oriented approach known as “design thinking.” Rotman has its “DesignWorks” department; Stanford has the Hasso Plattner Institute of Design, known as the d.school, where business students can take elective classes in design thinking.
“Critical thinking is an ability to understand a system or a statement and respond to it,” explains Tim Brown, president of IDEO, the design firm whose founder, David Kelley, was the main force behind the d.school’s creation. “What’s different about design thinking is, it’s focused on taking that understanding you have about the world and using that as a set of insights from which to be creative.”
Instead of presenting existing problems to analyze or solve, design-thinking classes send students to do something akin to anthropological field work to find the problems. Then they field-test solutions, refining as they go.
“What I learned at the d.school was markedly different from what I learned in the business school,” says Laura Jones, who got her degree last year and is now a manager in global innovation strategy for Visa. “At business school, there was a lot of focus on, ‘You’ve got a great idea; here’s how you build a business out of it.’ The d.school said, ‘Here’s how you get to that great idea.’ ”
OTHER prominent business schools are also making curriculum changes, though the specifics and degree vary. The Darden School of Business at the University of Virginia recently introduced design thinking into its curriculum and has built an innovation lab, called I-Lab, to accommodate the classes’ informal, collaborative style.
The Yale School of Management recently restructured its core curriculum around different “organizational perspectives” like customers, investors and society, instead of traditional disciplines like finance and marketing. “The faculty realized that in contemporary management practice, there’s no such thing as just a ‘marketing problem,’ ” says its dean, Sharon M. Oster.
Yale has also added a “problem framing” course that tries to have students think more broadly, question assumptions, view problems through multiple lenses and learn from history.
“There’s a great deal to learn from Bismarck, Kissinger, F.D.R. and J.F.K. about problem framing,” says Paul Bracken, a professor who designed the course. “I never understood why business schools didn’t mine this literature.”
Harvard hasn’t redone its curriculum, but the school has expanded its classes in global perspectives, corporate and social responsibility, and what it calls “authentic leadership development.” “We’ve been teaching the theory of leadership forever,” Mr. Garvin says. “But leadership is increasingly being treated at a skills level, with students working in small teams and in an experiential way, with reflective and field exercises. That’s a pronounced shift.”
The changes are also not limited to graduate programs. Because business is now such a popular undergraduate degree, the Carnegie Foundation is arguing for greater integration of the liberal arts with undergraduate business programs.
Will any of these changes have a big role in preventing future economic crises? Opinions here are more mixed. If businesses’ pay systems keep rewarding short-term, high-risk or narrowly focused behavior, many say, what business programs teach is unlikely to have much impact.
“As Upton Sinclair said, it’s amazing how difficult it is for a man to understand something if he’s paid a small fortune to not understand it,” cautions John Bogle, the founder and former chief of the Vanguard Group.
Mr. Martin agrees that the problems that led to the crisis are bigger than business schools alone can address. But he’s still optimistic. “The vast majority of our students want to be a positive influence on the world,” he says. “And if you give them ways of thinking that help them with these complicated dilemmas, they’ll make choices that are in some sense more worthy and have a higher moral quality.”
Friday, June 5, 2009
Para 'Economist', má qualidade da educação 'freia' desenvolvimento do Brasil
Citando os maus resultados do Brasil no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), realizado a cada três anos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a revista afirma que, apesar dos grandes investimentos e progressos em setores como política e economia, em termos de educação, o país está "bem abaixo de muitos outros países em desenvolvimento".
A publicação compara a situação brasileira à da Coreia do Sul, que apresenta bons resultados no Pisa.
"Até a década de 1970, a Coreia do Sul era praticamente tão próspera quanto o Brasil, mas, ajudada por seu sistema escolar superior, ela saltou à frente e agora tem uma renda per capita cerca de quatro vezes maior".
Sindicatos
Para a revista, entre os principais motivos para a má qualidade da educação no país está o fato de muitos professores faltarem por diversas vezes às aulas e os altos índices de repetência, que estimulam a evasão escolar.
Na opinião da Economist, o governo precisa investir mais na educação básica. "Assim como a Índia, o Brasil gasta muito com suas universidades ao invés de (gastar) com a alfabetização de crianças".
A publicação afirma ainda que o Brasil precisa de professores mais qualificados. "Muitos têm três ou quatro empregos diferentes e reclamam que as condições (de trabalho) são intimidadoras e os pagamentos baixos".
Afirmando que, apesar da situação, os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram avanços - embora vagarosos - no setor, a revista afirma que os sindicatos de professores "representam um grande obstáculo para melhorias".
"Quase qualquer coisa que atrapalhe sua paz causa greves", afirma a publicação britânica, dizendo que o sindicato dos professores do Estado de São Paulo, por exemplo, se opôs "a uma proposta que obrigava os novos professores a fazerem testes para assegurar que são qualificados".
A Economist defende que a receita para melhorar a educação no país seria "continuar reformando o sistema escolar, enfrentar os sindicatos dos professores e gastar mais em educação básica".
"A conquista do mundo - mesmo a amigável e sem confrontos que o Brasil busca - não virá para um país onde 45% dos chefes de famílias pobres têm menos de um ano de escolaridade", diz a publicação.
Saturday, May 30, 2009
Administrando o petróleo: o pragmatismo do Brasil ofusca o nacionalismo da Venezuela
Em 2 de setembro de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da primeira extração simbólica de petróleo da camada pré-sal em plataforma da Petrobras no campo de Jubarte, litoral sul do Espírito Santo. Na ocasião, Lula projetou investimentos de mais de R$ 2 trilhões na economia brasileira até 2017 puxados pela produção da estatal. "A Petrobras é a mãe da industrialização desse país", afirmou
Ao convidar companhias de petróleo privadas para disputar concessões, o Brasil continua contrariando a tendência regional: Bolívia e Venezuela confiscaram as participações privadas na produção de gás e petróleo. A Petrobras também é parcialmente privatizada, apesar do Estado reter a maioria das ações com direito a voto.
A abertura para o setor privado é uma escolha sábia. Tupi é comparado ao Mar do Norte. O paralelo vai além das reservas: como no Mar do Norte, os campos brasileiros em alto-mar apresentam desafios tecnológicos consideráveis. O petróleo fica sob camadas espessas de rocha e sal em águas com milhares de metros de profundidade. Não querer a melhor perícia do mundo é arrogância.
As companhias de petróleo estatais mais bem-sucedidas do mundo são abertas ao setor privado. A saudita Aramco foi comprada de proprietários privados, em vez de fundada do zero, para reter o conhecimento tecnológico. A norueguesa Statoil aprendeu por meio de um consórcio de companhias de petróleo estrangeiras antes de realizar suas primeiras operações nos campos do Mar do Norte.
Estas são exceções. Com maior frequência, as companhias estatais de petróleo infectam a política de seus proprietários públicos - seja se transformando em um Estado dentro do Estado, como em Angola, ou dando aos políticos uma fuga tentadora demais da responsabilidade. A Pemex do México há muito é o cofrinho do governo. Hugo Chávez, o presidente da Venezuela, força a PDVSA a pagar por programas sociais fora do orçamento público, minando sua capacidade de continuar produzindo petróleo.
Politização não é algo estranho para a Petrobras: o Senado brasileiro votou a favor de investigá-la por supostas concessões ilegais de contratos. A pressão por controle político apenas aumentará à medida que Tupi for desenvolvido. Para evitar isso, a Petrobras precisa ser tratada como qualquer empresa comercial. A proposta de Lobão de manter a participação acionária do Estado em uma empresa separada deveria ser aprovada. O Brasil também precisa implantar uma estrutura regulatória que permita à Petrobras competir em termos iguais com empresas privadas.
A maximização do valor que um país extrai de seu petróleo exige colaboração, não confrontação, com o setor privado. Uma empresa estatal pode ajudar se forçada a agir em termos comerciais. Isso, e não o solipsismo da Venezuela e do México, é que representa o verdadeiro nacionalismo de recursos.
Tradução: George El Khouri Andolfato
Monday, May 18, 2009
IX Sampa InterNations Get-together

Dear InterNations members,
Here we go again!
For this time we’ve set a place at the calm, familiar and very traditional Pompéia neighborhood.
We are suggesting a Saturday afternoon of ESPETINHOS & CAIPIRINHAS & LIVE BRAZILIAN MUSIC in a very friendly “garden kind” ambiance.
Couvert artístico: R$3,00. The ESPETINHOS are served in a “rodizio style” but you only pay for the ones you pick.
Please don’t forget to register for this event by clicking the “Attend Event” button and feel free to bring your international friends.
See you there, Mariana
Host
Mariana Barros - InterNations Ambassador
Event Date
Start date: 05/30/2009, 16:00 End date: 05/30/2009, 23:59
Event Location
Casa do Espeto Rua Cotoxó, 582, Pompéia São Paulo Brazil
Email: www.casadoespeto.com.br. Phone: 3676-0436.
Friday, April 24, 2009
Monday, April 20, 2009
Wednesday, April 8, 2009
O tempo ao redor do mundo
O tempo ao redor do mundo
Como outros países estão driblando (ou não) as longas jornadas de trabalho
Por Juliana De Mari
As discussões a respeito das soluções para melhorar a qualidade de vida dos profissionais brasileiros e tornar possível a conciliação entre as demandas do trabalho e da vida privada estão engatinhando no país. Conheça agora, de acordo com pesquisa feita pela escritora Rosiska Darcy de Oliveira para o livro Reengenharia do Tempo (ed.Rocco), o que outros países, como Holanda, Suécia e Estados Unidos, estão fazendo (ou não) para viabilizar a melhorida da qualidade de vida de seus profissionais. Confira:
| HOLANDA A Holanda foi o primeiro país a realizar pesquisas sobre as aspirações dos homens. Por meio delas, chegou-se a conclusão de que era preciso diminuir o ritmo de trabalho para que eles pudessem estar mais próximos de sua vida afetiva. Os documentos sobre as políticas de igualdade do país insistem no fato de que "os homens precisam recuperar um atraso na sua vida privada, tanto quanto as mulheres precisam superar alguns obstáculos na vida profissional". A sociedade holandesa evoluiu progressivamente no sentido do trabalho a tempo parcial. A Holanda concluiu que só liberando os homens do trabalho remunerado poderia liberar as mulheres do trabalho doméstico. | |
| FRANÇA As mulheres francesas ganham 25% menos do que os homens e isso afeta as relações familiares e a divisão de tarefas em casa. O país tentou resolver a questão implantando o chamado salário doméstico, mas a abordagem não deu certo. A maneira francesa de enfocar a questão da vida privada, dando-lhe um tratamento monetário, pecava por vários equívocos, segundo Rosiska Darcy de Oliveira. "O mais grave era olhar para a vida privada pensando apenas na sua funcionalidade, e não no sentido que tem na relação entre as pessoas". | |
| ITÁLIA Os italianos levaram adiante um dos mais interessantes debates sobre reengenharia do tempo. Conhecida como "tempo das cidades", essa política pública visava conciliar os tempos de vida privada, de trabalho e da cidade em si, para uma maior qualidade de vida. Seu primeiro grande mérito é evitar as soluções destinadas apenas às mulheres no tratametno dos problemas. A Itália reconhece que se trata de um problema da família, da sociedade como um todo. Hoje, cerca de 160 cidades italianas usam políticas de horário de abertura do comércio levando em conta três fatores: as expectativas dos habitantes, os horários das escolas e os horários dos transportes. Atualmente, o grande desafio da Itália é uma integração mais efetiva das empresas. | |
| SUÉCIA O debate sobre a questão do tempo começou efetivamente na Europa via Suécia.O país criou uma licença remunerada, equivalente a 90% do salário dos empregados, acessível a pais e mães, podendo ser utilizada em tempo integral ou parcial, até que o filho completasse oito anos. Também foi criado um mês de licença, depois do nascimento, para ser usado tanto pelo pai quanto pela mãe. Deu-se aos pais ainda o direito de 60 faltas anuais no trabalho em caso de doenças dos filhos. A sociedade sueca discutiu direitos e deveres de homens e mulheres, levando em conta seu duplo papel de pais e trabalhadores. O resultado é exemplar: 74% das mulheres suecas trabalham e que a política de tempo parcial cresceu mais entre eles do que elas. | |
| ESTADOS UNIDOS Uma sociedade altamente dinâmica, voltada par ao produtivismo como uma quase religião, tende naturalmente a deixar a vida privada em segundo plano. A moderna empresa americana estruturou seu processo produtivo apoiando-se na possibilidade de convocar a mão-de-obra necessária no momento e nas circunstâncias que melhor convierem à empresa. Em tempos de precariedade de empregos, a tendência dos empregados é aceitar essas condições. Reina, assim, uma grande imprevisibilidade em termos de uso do tempo. Essa situação vem diluindo os laços de dependência entre jovens e seus pais e empobrecendo o papel educativo das famílias. O objetivo mais generalizado dos americanos é: aumentar o poder aquisitivo para garantir a extensão do consumo. A relação com o trabalho, portanto, aparece como prioridade. |
Fonte: Reengenharia do Tempo, editora Rocco
- Leia também a entrevista com Rosiska Darcy de Oliveira, autora do livroReengenharia do Tempo. Clique aqui
Friday, March 20, 2009
As quatro regras "E" da mentalidade global
As quatro regras "E" da mentalidade global
As pessoas falam o tempo todo em pensamento global, mas o que isso significa realmente?
Por Jack Welch com Suzy Welch | 05.03.2009 | 18h12
Revista EXAME
Ora, você sabe a resposta! Você, que nasceu na Austrália e agora trabalha no Ministério do Turismo de Abu Dhabi! Quando nos encontramos em sua nova "cidade natal", tempos atrás, bastou conversarmos uma única vez para que percebêssemos que estávamos diante de uma legítima mentalidade global em ação. "Gosto muito daqui", você disse. "É tão diferente!"
A tranquilidade com que você abraçou a diferença é o fundamento da mentalidade global. Diríamos que se trata de Empatia e colocaríamos essa característica no topo das quatro novas habilidades da liderança global começadas pela letra "E" - imprescindíveis para alcançar o sucesso neste admirável mundo novo e sem fronteiras dos negócios.
Antes de falarmos sobre a Empatia e as demais características novas, vamos retomar rapidamente as antigas, que elaborei uns 20 anos atrás, num esforço para codificar minha visão da liderança eficaz. A primeira delas, Energia, continua valendo até hoje. Trata-se da capacidade de seguir sempre em frente, o tempo todo comprometido e pronto para qualquer desafio. Em seguida vem o "E" de Energizar, que é a capacidade de transmitir energia a outros. A terceira é Escolher, para lembrar que é fundamental decidir - e não ficar paralisado pelo excesso de reflexão. Finalmente, há a Execução, ou seja, é preciso tirar a estratégia do plano das ideias e colocá-la em prática. Essas quatro letras "E", porém, só estarão completas quando amarradas pelo "P" de Paixão, tanto no trabalho quanto na vida.
Bem, no ambiente global de hoje, em que a competitividade está cada vez mais acentuada, essas características continuam a ser importantes, mas existem outras que estão se tornando rapidamente imprescindíveis.
É o caso da Empatia. Em um contexto global de negócios, significa muito mais do que cordialidade e compaixão. É saber entender culturas diferentes, respeitando seus valores e tradições. Na fabricante de computadores chinesa Lenovo (que adquiriu a divisão de computadores pessoais da IBM em 2005), os executivos americanos tiveram de aprender a ficar algum tempo em silêncio durante as reuniões para que seus colegas tivessem a oportunidade de traduzir e entender o que estavam ouvindo. Logo depois da aquisição, a empresa não tinha um calendário corporativo com o período de festas da matriz e da operação americana. Com isso, as pessoas acabavam marcando reuniões no Ano-Novo chinês, por exemplo. Para haver confiança entre as partes é preciso evitar esse tipo de coisa. Em um mundo global, deve-se respeitar o que outras pessoas consideram importante.
Em segundo lugar, temos o "E" de Experimentação. Todo líder deve explorar sem medo novas ideias, produtos e mercados, mesmo quando o retorno não for imediato. No passado, as empresas confiavam a inovação a uns poucos gênios da matriz e simplesmente se apropriavam dela. Hoje, há empreendedores ousados espalhados pelo mundo todo. As multinacionais colhem os frutos da inventividade de seus funcionários onde quer que estejam. Correr riscos virou rotina para as empresas. Conforme disse recentemente Jeff Bezos, principal executivo da Amazon: "Não podemos permitir que investidores de curto prazo e especialistas nos assustem e nos impeçam de experimentar". Ao aludir ao negócio extremamente bem-sucedido da Amazon no segmento de produtos usados e de itens de coleção, Bezos afirmou: "O Marketplace foi nossa terceira tentativa de novo negócio. Os dois fracassos anteriores não nos detiveram. Aprendemos com eles".
O terceiro "E" lembra que devemos dar Exemplo. Como as empresas estão cada vez mais espalhadas pelo mundo, fica muito difícil construir uma cultura organizacional de valores igualmente partilhados. Por isso, líderes de todos os níveis precisam aprender a ser modelos, comportando-se da forma como a empresa espera que eles e todos os demais funcionários se comportem. Nada impede, é claro, que um líder pegue um megafone e saia pela empresa bradando a necessidade de rapidez e transparência. Mas, como todo mundo sabe muito bem, ações falam mais alto do que palavras, principalmente quando as palavras precisam ser traduzidas.
O último "E" é resultante da crescente competitividade do mercado. Trata-se do "E" de Empolgado. Ou melhor, de Empolgado para Vencer. Muita gente vai alegre para o trabalho e cumpre seu expediente sem problemas. Mas o mundo exige do líder uma atitude que vá muito além dessa. "Me dê alguém que esteja dominado pelo desejo de vencer, alguém que odeie perder, e o resto se arranja sozinho", disse Mel Karmazin, presidente da Sirius, empresa de rádio por satélite. "Quem não tiver esse desejo, essa fome, não poderá competir no mundo de hoje."
Concordamos plenamente. É verdade que existem qualidades de liderança que não mudarão jamais. No entanto, o mundo dos negócios ganhou contornos vastíssimos - e é preciso se adaptar a eles
Wednesday, March 18, 2009
O Brasil visto de fora
exame/finanças
O Brasil visto de fora
Para as grandes gestoras internacionais que podem aplicar em qualquer lugar do mundo, o Brasil desponta como uma rara oportunidade de investimento - tanto em ações quanto em títulos de empresas e do governo
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Por Guilherme Fogaça | 05.03.2009 | 17h24
Revista EXAME -
Os investidores estrangeiros influenciam diretamente o comportamento da Bolsa de Valores de São Paulo. Eles não são maioria na bolsa - juntos, representam cerca de um terço do movimento diário dos pregões -, mas, como agem em grupo, o impacto de suas decisões no desempenho do mercado é grande. Um exemplo do poder desses investidores ocorreu em fevereiro. Eles começaram o mês comprando mais do que vendendo ações de empresas brasileiras - um movimento que não ocorria desde maio de 2008. Resultado: o Índice Bovespa, que reúne as 66 ações mais negociadas da bolsa, subiu quase 9% em apenas uma semana. Com a piora da crise internacional, porém, o ímpeto dos estrangeiros na bolsa brasileira enfraqueceu - e o Ibovespa fechou o mês em queda de 2,8%. Para saber a opinião desses investidores sobre o Brasil hoje, EXAME ouviu seis representantes de algumas das maiores gestoras de recursos dos Estados Unidos e da Europa. Como era de esperar, eles não concordam em tudo. Alguns acham que já é a hora de aplicar em papéis de empresas ligadas ao setor de commodities, enquanto outros se mostram reticentes. Mas o ponto em comum entre todos é a impressão que o Brasil será um dos países menos afetados pela crise. "O Brasil está muito bem em relação às nações ricas e bem na comparação com outros emergentes", diz Luiz Ribeiro, gestor do HSBC de fundos offshore para a América Latina, responsável por um dos maiores fundos Bric do mundo.
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Retorno rápido para o investidor
Quem investe em renda fixa no Japão pode levar até 100 anos para conseguir dobrar o valor do dinheiro investido. Dá para fazer isso no Brasil em apenas seis anos. É com essa comparação que a gestora de recursos inglesa Ashmore mostra a seus clientes o potencial dos investimentos em renda fixa no Brasil. Para Jerome Booth, diretor internacional da Ashmore, a baixa taxa de juro nos Estados Unidos transformou os títulos do governo americano em uma alternativa pouco atraente. Na maior parte dos países desenvolvidos, a situação não é diferente. No Japão e na Europa, as taxas também foram reduzidas a próximo de zero nos últimos meses. Por aqui, a Selic está em 12,75%.
Dos 24,5 bilhões de dólares sob gestão da Ashmore, 15 bilhões estão investidos em títulos de dívida atrelados ao dólar em países emergentes - e a principal fatia é no Brasil. No portfólio, há tanto títulos públicos como privados. "O Brasil já enfrentou problemas de crédito várias vezes, e as empresas brasileiras aprenderam a atuar sem depender do crédito estrangeiro", diz Booth. Para o diretor internacional da Ashmore, a recuperação dos mercados desenvolvidos, imersos em uma crise de solvência do sistema financeiro, será muito mais demorada do que a reação dos países emergentes à momentânea escassez de crédito. "Não há como pensar diferente, porque essas nações serão as grandes responsáveis pelo crescimento global nos próximos anos", diz Booth. Outro argumento usado pela Ashmore para convencer seus clientes a aplicar no Brasil está relacionado ao câmbio. Como o real já desvalorizou bastante em relação ao dólar, o momento atual é visto como uma janela de oportunidade para entrar no país.
A crise está provocando um choque de realidade nos investidores internacionais, segundo Booth. "Eles estão revendo seus conceitos", diz. De acordo com ele, o processo de reavaliar o mundo após a eclosão da crise financeira e econômica mundial é crucial. "O banco Itaú é provavelmente melhor do que qualquer banco da Inglaterra, mas um investidor médio britânico não o citaria como um padrão de segurança", diz Booth.
Foco nos grandes bancos
Quando o assunto são investimentos no Brasil, a grande preocupação dos investidores da BlackRock, uma das maiores gestoras de recursos do mundo, baseadaem Nova York, é a concentração de empresas ligadas ao setor de commodities na bolsa de valores. O medo é que o preço das matérias-primas permaneça baixo e prejudique ações como as da Vale e da Petrobras, o que deixaria o Índice Bovespa estagnado. Embora os investidores estejam atentos aos perigos, não existe desespero - muito pelo contrário. "Eles sabem que o Brasil está numa posição privilegiada", diz William Landers, gerente sênior de fundos de renda variável para a América Latina. Para 2009, Landers acredita que a melhor estratégia é evitar ações ligadas a commodities. Sua preferência é por papéis de bancos como Itaú e Bradesco. "É um setor que possui liquidez na bolsa, o que continuará sendo importante em 2009", diz. Outra opção são as ações ligadas ao consumo interno, como as da AmBev. "A classe média brasileira deu um salto nos últimos cinco anos e ainda há uma demanda reprimida a ser atendida", completa Landers.
Um plano de cinco anos
Para a gestora de recursos britânica Schroders, com sede em Londres, 2009 é o ano de fazer boas compras no mercado acionário brasileiro. Como estão mirando em retornos para algum momento entre os anos de 2011 e 2013, os gestores do Schroders garimpam ações com potencial de valorização no longo prazo. Segundo o brasileiro Eduardo Mendes, vice-presidente da Schroders, no longo prazo o setor mais promissor é o de empresas ligadas ao setor de commodities.
Para Mendes, um conjunto de fatores deve elevar novamente o preço das matérias-primas mais à frente. O primeiro deles é o cancelamento de diversos investimentos em expansão da produção de matérias-primas no mundo devido à crise - o que provocará, diz Mendes, um desencontro entre oferta e demanda quando a economia mundial voltar a apresentar altas taxas de crescimento. "É o momento de aproveitar as pechinchas para comprar ações a preços inigualáveis", afirma. O maior potencial, segundo ele, está nas empresas de petróleo, porque é onde as reduções de produção terão mais efeito.
Atualmente, os gestores da Schroders estão envolvidos na identificação dos melhores momentos para sair à caça. "Estamos esperando sinais mais claros dos indicadores econômicos, mas com certeza teremos boas oportunidades de compra durante 2009", diz Mendes. A freada brusca na produção industrial no Brasil em dezembro, divulgada no início do ano, preocupou e, no curto prazo, novos dados ruins podem afetar o desempenho da bolsa brasileira, gerando oportunidades de aquisições.
Mendes afirma que o maior erro cometido por seus gestores em 2008 foi não ter preparado a carteira de investimentos para uma crise tão forte quanto a que se viu a partir de setembro. "O problema para nós e boa parte do mercado foi não ter aplicado mais em ações defensivas, como as do setor elétrico, e não ter reduzido os papéis ligados ao setor de consumo." Para este ano, as melhores apostas, segundo Mendes, são os papéis de companhias ligadas aos setores de mineração e de telefonia fixa.
Small caps para o longo prazo
O paulista Luiz Ribeiro, gestor do HSBC de fundos offshore para a América Latina, é responsável por um dos maiores fundos Bric do mundo - o HSBC GIF BRIC tem 1,3 bilhão de dólares para aplicar no Brasil, na Rússia, na Índia e na China. Na comparação, o Brasil se destaca. "A Rússia tem problemas com suas instituições financeiras, e os mercados da China e da Índia não têm informações tão transparentes quanto o do Brasil", diz Ribeiro. Ainda assim, ele acredita que fazer bons investimentos em renda variável no Brasil em 2009 será arriscado. Para Ribeiro, o lucro das empresas brasileiras terá uma redução de 15% a 20% em 2009 em relação ao ano anterior.
Mesmo assim, ele acredita que há oportunidades entre as companhias de maior valor de mercado, principalmente nos setores de mineração e de bancos. "A Vale está sendo negociada a valores atrativos em comparação com suas concorrentes internacionais, e os bancos brasileiros conseguem manter um bom patamar de rentabilidade mesmo em conjunturas mais difíceis", diz. Para quem pensa em investir por um prazo superior a três anos, Ribeiro indica as small caps, empresas com valor de mercado inferior a 5 bilhões de reais e volume diário de negócios inferior a 4 milhões de reais. "Investidores de fundos de hedge estrangeiros venderam de forma indiscriminada grandes quantidades de small caps brasileiras no ano passado para fazer frente aos saques em seus países-sede."
É bom emprestar para empresas privadas
O Brasil é o maior destino externo de investimentos da gestora Legg Mason, sediada em Baltimore, nos Estados Unidos. O motivo? A convicção de que o país, assim como alguns outros emergentes, sofrerá menos com a crise do que o restante do mundo. "O Brasil evoluiu, possui políticas fiscais e monetárias mais confiáveis, moeda forte e um banco central disposto a tomar as medidas para estimular a economia", diz Keith Gardner, chefe de investimentos para mercados emergentes.
Apesar disso, Gardner destaca que o ambiente atual - de muita aversão ao risco, queda no preço das commodities e desaquecimento mundial - é desafiador para os mercados emergentes. "O momento é de cautela, e a forma de ser cauteloso sem perder as oportunidades é investir em renda fixa, mais precisamente nas dívidas de empresas privadas desses países", diz Gardner. Sua estratégia é procurar companhias dos principais setores das nações onde investe. No Brasil, as maiores oportunidades, segundo ele, estão nos títulos de dívida de empresas como Petrobras, Vale, Gerdau e Odebrecht. "São empresas sólidas, que estão investindo para crescer no longo prazo." Além disso, Gardner acredita que os pacotes de estímulo econômico na China devem surtir efeito e que o país continuará importando produtos brasileiros. "Com a magnitude dos incentivos ao crescimento que estão sendo dados no mundo, não acredito que os preços das matérias-primas caiam mais", diz Gardner.
A fortaleza dos bancos brasileiros
Os clientes do banco belgo-holandês Fortis que investem no Brasil têm uma dúvida em comum: qual será o impacto da crise no país? O fato de o Brasil ser relativamente fechado (exportar e importar pouco em relação a seu PIB) é visto, neste momento, como uma vantagem, pois a economia pode continuar crescendo puxada pelo mercado interno. "Por outro lado, essa relativa independência também provoca um efeito perigoso: as consequências do desaquecimento mundial demoram mais a chegar, o que pode gerar uma falsa impressão de que o país não sofrerá tanto com a crise", diz Gustavo Nagai, diretor executivo do Fortis, que administra 550 milhões de dólares de investimentos no Brasil.
A projeção do Fortis é que o PIB brasileiro cresça aproximadamente 1% em 2009 - abaixo da projeção de 1,8% feita pelo FMI. Isso não significa, porém, que o Brasil deixou de ser uma opção atrativa de investimento para o Fortis. Em 2009, uma das apostas de Nagai são as ações de grandes bancos brasileiros, que, segundo ele, perderam valor injustamente por fazer parte do setor responsável pela crise. Nagai também acredita na recuperação dos papéis ligados a commodities graças sobretudo ao pacote de estímulo chinês. "Apesar das dúvidas, a maior parte dos investidores estrangeiros acredita que os emergentes continuam sendo a melhor opção de aplicação, pois o centro da crise continua a ser o mundo desenvolvido", afirma.
Monday, March 16, 2009
Profissional é pouco comprometido
Eduardo Anizelli/Folha |
Saturday, March 7, 2009
Lideranças e castelos
| São Paulo, quinta-feira, 05 de março de 2009 |
Lideranças e castelos
Liderar já significou arriscar a vida para proteger os indefesos; os castelos serviam para isso |
O VALE DE Aosta, na Itália, sobe, a partir do Canavese (a região da cidade de Ivrea), até o Mont Blanc.
Dos dois lados do vale, abre-se uma série de vales menores, que acabam em outras montanhas geralmente impérvias. Uma delas oferece um passo laborioso, mas que sempre foi praticável: é o Grande São Bernardo (hoje entre a Itália e a Suíça).
Há quem diga que, pelo Grande São Bernardo, transitou o Exército de Anibal, em 217 antes de Cristo. Com certeza, 160 anos depois, foi pelo Grande São Bernardo que passaram as legiões de César a caminho da Gália. O passo foi usado por Carlos Magno, no ano 800, voltando para França depois de ter sido coroado em Milão. Mas, sobretudo, durante séculos, ele foi o caminho escolhido por cada tipo de horda a fim de saquear e estuprar um pouco mais ao sul.
Eram "bárbaros" do norte ou Saracenos (futuros Otomanos), descidos de algum navio Deus sabe onde e errantes pela Europa; alguns deles, apesar de neve e frio, instalaram-se no ponto mais alto do caminho, cobrando pedágios exorbitantes. Ao redor do ano 1000, eles foram derrotados, e foi construído, lá em cima, um mosteiro que, desde então, assiste os que se aventuram por aquelas bandas nos meses do inverno (os monges criaram a raça de cachorros São Bernardo, especialistas em procurar peregrinos perdidos no gelo).
Lembrei-me dessa história numa viagem recente, em que, atravessado o túnel do Mont Blanc, desci até Torino. Repeti uma brincadeira com a qual, criança, enganava o tempo, sentado no banco traseiro do carro: tentava contar, ao longo da estrada, as fortificações ou suas ruínas. São muitas, algumas bem antigas. Ora, os exércitos invasores que desceram por aquele caminho foram poucos. Fora talvez Anibal, só houve a descida de Napoleão, em 1800. No mais, foram bandos -grandes ou pequenos.
Igual, as fortificações não barravam o caminho: exércitos e bandos podiam facilmente desviar. Então, por que erguer torres e castelos? Desde criança, inventei uma explicação, que meus amigos medievalistas parecem confirmar. Naqueles séculos perigosos, as pequenas comunidades viviam arrancando sua subsistência à terra e sem poder recorrer a ninguém que as defendesse quer seja pela distância (fazer o quê? Mandar alguém correndo para Torino?), quer seja pela incerteza dos laços (a quem caberia proteger a gente: ao bispo de Aosta? Ao emperador, na PQP?). Quem tivesse um mínimo de meios e braços construía uma torre; enxergar de longe a chegada dos saqueadores significava ganhar o tempo para esconder a família, os bichos e os grãos para semear no ano seguinte. Na torre e na fortificação era também possível se fechar, esperando a horda passar; claro, os vizinhos acorreriam, pedindo e obtendo asilo.
Alguns donos de torres, convencidos de que pode valer a pena arriscar a vida para evitar uma humilhação, encontrariam a coragem de se armar e resistir o suficiente para que a horda do dia preferisse seguir em frente e espoliar outra vila. Pois bem, as elites aristocráticas nasceram assim, de baixo para cima, não por decreto imperial. Certo, mais tarde, um dos valentes decidiu, por exemplo, responder ao apelo de uma cruzada (talvez mais para se vingar dos bandos de Saracenos do que para reconquistar a terra santa) e acabou ganhando um título de algum soberano. Mas, isso, só mais tarde.
Em suma, mais de mil anos atrás, liderar significou ter a coragem de proteger os indefesos (essa é, aliás, a ética cavalheiresca originária), e as fortificações serviam para isso. Só depois é que os líderes passaram a exigir "compensações" por sua liderança (impostos, privilégios etc.): as fortificações, de repente, serviram também para defender o aristocrata contra seus próprios sujeitos, caso eles se rebelassem.
Mas essa época também passou (em termos). Veio (e ainda dura) o tempo dos castelos kitsch, que servem para esbanjar e intimidar: "Olhe o tamanho de meus muros, pasme com minha riqueza. Inveje-me, obedeça e faça reverência". Caso não tenha ficado claro, essas reflexões são inspiradas pelo castelo do deputado Edmar Moreira, em São João Nepomuceno, MG (josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/images
/CasteloEdmarMoreiraGde.jpg). É um exemplo da triste transformação das lideranças (e da gente: afinal, cada época deve ter as lideranças que merece).
ccalligari@uol.com.br
Tuesday, November 4, 2008
Dubai inaugura o maior shopping do mundo
A cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, acaba de ganhar mais um empreendimento megalomaníaco. Foi inaugurado nesta terça-feira (04/11) o Dubai Mall, considerado o maior shopping do mundo. Ele tem 1,1 milhão de metros quadrados (o equivalente a mais de 50 campos de futebol) e espaço para 1.200 lojas. A expectativa é que o novo centro de compras atraia 30 milhões de visitantes ao ano.

“O Dubai Mall não é apenas uma questão de quantidade, mas também de qualidade”, diz Yousif Al Ali, gerente geral do shopping. Algumas das lojas mais conhecidas do mundo poderão ser encontradas pelos visitantes. Um exemplo: a Galeries Lafayette, a mais tradicional loja de departamento de Paris, na França, vai abrir uma loja no novo shopping em fevereiro de 2009.
Algumas das atrações do novo shopping já entraram para o Guinness, o livro dos recordes. No Dubai Aquarium, instalado nas dependências, está o maior painel de acrílico do mundo. Ele tem 33 metros de comprimento, 8,3 de altura e 75 centímetros de espessura. Peso: 245 quilos.

O shopping vai contar com o maior mercado de ouro de Dubai, 22 salas de cinema e um parque temático da fabricante de jogos Sega.
O Dubai Mall é parte de um complexo chamado Downtown Dubai, construído pela Emaar Properties, uma das maiores empreiteiras dos Emirados Árabes Unidos. O empreendimento é parte do Burj Dubai, considerado o prédio mais alto do mundo e que será inaugurado em setembro de 2009. O complexo foi orçado em US$ 20 bilhões.
Fonte: Revista Epoca Negocios
