Monday, August 31, 2009

USP é a 38ª melhor universidade do mundo, segundo ranking Webometrics

fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/08/31/ult105u8617.jhtm

31/08/2009 - 12h46


Da Redação

Em São Paulo

Atualizada às 13h08


A USP (Universidade de São Paulo) é a 38ª melhor universidade do mundo, segundo o Webometrics Ranking Web of World Universities. A instituição é a primeira na América Latina.


Na primeira colocação, aparece o MIT (Massachusetts Institute of Technology). Em seguida, está Harvard e, em terceiro lugar, a universidade de Stanford - as três nos Estados Unidos.

RANKING WEBOMETRICS - JULHO de 2009
1Massachusetts Institute of TechnologyEUA
2HarvardEUA
3Universidade de StanfordEUA
4Universidade Berkeley da CalifórniaEUA
5Universidade CornellEUA
6Universidade Madison de WisconsinEUA
7Universidade de MinnesotaEUA
8Instituto de Tecnologia da CalifórniaEUA
9Universidade Urbana Champaign de IllinoisEUA
10Universidade de MichiganEUA
38Universidade de São PauloBrasil
115Universidade Estadual de CampinasBrasil
134Universidade Federal de Santa CatarinaBrasil
152Universidade Federal do Rio Grande do SulBrasil
196Universidade Federal do Rio de JaneiroBrasil
204Universidade de BrasíliaBrasil
241Universidade Federal de Minas GeraisBrasil
PosiçãoUniversidadePaís
Desde 2004, o ranking é publicado duas vezes ao ano, em janeiro e julho e cobre mais de 17 mil instituições de ensino superior por todo o mundo. A lista final tem cerca de 6.000 universidades e leva em conta a atividade e a visibilidade das instituições. Ele é realizado por uma organização pública espanhola.

São critérios o comprometimento dos professores, os resultados das pesquisas, o prestígio internacional, a importância na comunidade e o uso dos estudos pela indústria e pelos setores econômicos.

A segunda instituição brasileira que aparece na lista é a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), na 115ª colocação. A terceira é a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), no 134º lugar.

Outras marcasNo ranking divulgado em janeiro, a USP aparecia na 87ª colocação, o que mostra uma subida de 49 posições.

No ranking de bibliotecas digitais de dissertações e teses, a USP ocupa o 57º lugar, o que significa crescimento de 29 posições, em relação a 2008.

Outras informações podem ser obtidas no site do ranking.

Monday, August 24, 2009

Etiqueta global

Prepare-se para ser um executivo do mundo

Por JULIA DE MEDEIROS


As empresas brasileiras, por causa do desempenho econômico do país, estão atraindo olhares — e visitantes — estrangeiros. Com tantas culturas diferentes, a maneira como você se comporta pode ser decisiva na hora de fechar aquele contrato de venda ou conseguir um emprego novo. “As principais gafes dos brasileiros no contato com executivos de outros países são os atrasos”, diz a consultora de imagem Renata Mello. O hábito de tocar nas pessoas e o de interromper enquanto o outro fala também podem causar problemas. “Nas viagens ao exterior deixe o anfitrião ditar as regras, evite comandar ou dar sugestões. O ideal é observar e só se pronunciar se for questionado”, diz a consultora. Veja algumas dicas para não atropelar a cultura de outro país e se dar bem em reuniões globalizadas.

No trabalho

Conversar tocando no seu interlocutor ou muito perto dele normalmente constrange os estrangeiros. Melhor é ser cordial, mas manter distância.

Não force uma intimidade logo de cara, perguntando sobre família e gostos pessoais para um árabe. Isso é falta de educação.
Na Rússia, a conversa sobre assuntos particulares é uma forma que os russos mantêm para conquistar a confiança e o respeito do convidado.
Não se impressione se, durante uma reunião, os japoneses fecharem os olhos por alguns segundos. “Eles estão apenas fazendo um power nap, uma forma de se refazer e voltar a prestar atenção”, diz Paula Caíres, líder de desenvolvimento humano da Serasa Experian, que trabalhou para a Toyota na Bélgica.
Carlo Calabro, gerente da consultoria BCG em São Paulo, trabalhou no escritório da empresa em Paris e vê as diferenças.
“Aqui, as pessoas apreciam se você concorda e cria consenso durante uma reunião. Na França, ninguém notará sua presença se você não discordar.”
Depois de um ano na Inglaterra, Fabio Oliveira, gerente da Business School São Paulo, chama a atenção para o gosto por objetividade. “É necessário ser assertivo nas explicações. Barganhar não é bem visto em um primeiro encontro na Inglaterra.”

Cumprimentos

O aperto de mão é o cumprimento profissional internacional. Porém, muitos países ainda mantêm seu próprio jeito de cumprimentar as pessoas, que muitas vezes não é feito de forma calorosa como aqui no Brasil. Portanto, observe primeiro e apenas repita o gesto de seu interlocutor, em vez de chegar dando beijinhos.

Cartão de visitas

Conforme a etiqueta asiática, tudo o que se oferece e recebe deve ser feito com as duas mãos, inclusive a troca de cartões.
No Japão, o cartão de visita é “considerado parte da identidade do seu dono”, segundo o livro Linguagem do Corpo no Trabalho, de Peter Clayton e Regina Sotto Maior. Por isso, ao recebê-lo, leia com atenção e coloque-o em
cima da mesa. Ao fim da reunião, procure guardá-lo dentro da carteira.

Álcool

Para os franceses, recusar uma taça de vinho durante um almoço de negócios é um desrespeito.
Na Rússia, reuniões regadas a álcool são normais. O especialista em fusões e aquisições Roberto Aldworth lembra que quando trabalhava para a AmBev esteve no país e precisou “matar” uma dose de vodca antes da negociação, às 9h da manhã. “Durante quatro horas, tínhamos que brindar várias vezes e um assessor sempre enchia os copos”, conta.

Presentes

É normal que os japoneses mais tradicionais recusem três vezes um presente antes de aceitá-lo. Se for receber um, não abra diante de todos. Quem dá a lembrança não pode correr o risco de não ter agradado na frente dos outros.
No mundo árabe, presentear a sós pode ser considerado suborno. Melhor fazê-lo na presença dos demais.

fonte: http://vocesa.abril.uol.com.br/edicoes/0134/aberto/materia/mt_491141.shtml

Thursday, August 13, 2009

Edward Hall, Expert on Nonverbal Communication, Is Dead at 95


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By WILLIAM GRIMES

Published: August 4, 2009

Edward T. Hall, a cultural anthropologist who pioneered the study of nonverbal communication and interactions between members of different ethnic groups, died July 20 at his home in Santa Fe, N.M. He was 95.

Skip to next paragraphThe death was confirmed by his wife, Karin Bergh Hall.

Mr. Hall first became interested in space and time as forms of cultural expression while working on Navajo and Hopi reservations in the 1930s. He later developed a cultural model that emphasized the importance of nonverbal signals and modes of awareness over explicit messages. These insights proved invaluable in studying how members of different cultures interact and how they often fail to understand one other.

Edward Twitchell Hall, known as Ned, was born in Webster Groves, Mo., and grew up in Santa Fe. He earned a bachelor’s degree in anthropology from the University of Denver in 1936, a master’s degree from the University of Arizona in 1938 and a doctorate fromColumbia University in 1942.

While serving with the Army Corps of Engineers during World War II, he commanded a black regiment in Europe and in the Philippines. In 1946, he married Mildred E. Reed, who died in 1994. An earlier marriage ended in divorce. In addition to Karin Bergh Hall, whom he married in 2004, he is survived by a son, Eric R. Hall of Albuquerque; a sister, Priscilla Waters Norton of Connecticut; and a grandson.

After teaching anthropology at the University of Denver and Bennington College in Vermont, Mr. Hall directed a program for the Foreign Service Institute in Washington designed to help State Department employees negotiate cultural differences when they took on overseas assignments.

At the same time, he carried out research at the Washington School of Psychiatry that led to his most influential book, “The Silent Language” (1959), which outlined his theory of explicit versus informal forms of communication.

“One example he always gave was the way that married couples do not need to say much to know how the other is feeling,” said Gladys Levis-Pilz, a former research assistant to Mr. Hall at Northwestern University. “By looking at each other’s faces or reading each other’s gestures, they can instantly get more information than they could from explicit statements.”

A more complex example, Ms. Levis-Pilz said, might be the mechanics of driving a car as cultural expression. On the explicit level, drivers understand the working of a car, the highway system and the written rules of the road. Informally, they know that some drivers run red lights and, if they live in New Jersey, that one must often turn right to go left on a state road because of the jughandle system.

Some of Mr. Hall’s most provocative ideas, developed when he was at the Illinois Institute of Technology in the 1960s, dealt with cultural attitudes toward space and time as part of the informal realm of communication. Those ideas form the substance of his books “The Hidden Dimension” (1966) and “The Dance of Life: The Other Dimension of Time” (1983).

Space as a form of communication, a field he dubbed proxemics, embraced phenomena like territoriality among office workers and the cultural meanings of architecture. The use of time as a form of communication can be seen, he argued, in the executive or the movie star who keeps a client waiting for a precisely calibrated number of minutes. His ideas were synthesized in “Beyond Culture” (1976).

After retiring from Northwestern, where he taught from 1967 to 1977, Mr. Hall lectured widely on interethnic and intercultural relations. With his wife Mildred, he wrote “Hidden Differences: How to Communicate with the Germans” (1983), “Hidden Differences: Doing Business with the Japanese” (1987) and “Understanding Cultural Differences: Germans, French and Americans” (1990).

In 1992, he published a memoir, “An Anthropology of Everyday Life.”

Monday, August 10, 2009

A utopia possível na sociedade líquida



Edição 138
O sociólogo afirma que é preciso acreditar no potencial humano
para que um outro mundo seja possível
03/08/2009
Dennis de Oliveira
Zygmunt Bauman é um dos pensadores contemporâneos que mais têm produzido obras que refletem os tempos contemporâneos. Nascido na Polônia em 1925, o sociólogo tem um histórico de vida que passa pela ocupação nazista durante
Foto: Reprodução/Creative Commons
a Segunda Guerra Mundial, pela ativa militância em prol da construção do socialismo no seu país sob a direta influência da extinta União Soviética e pela crise e desmoronamento do regime socialista.
Atualmente, vive na Inglaterra, em tempo de grande mobilidade de populações na Europa. Professor emérito de sociologia da Universidade de Leeds, Bauman propõe o conceito de "modernidade líquida" para definir o presente, em vez do já batido termo "pós-modernidade", que, segundo ele, virou mais um qualificativo ideológico.
Bauman define modernidade líquida como um momento em que a sociabilidade humana experimenta uma transformação que pode ser sintetizada nos seguintes processos: a metamorfose do cidadão, sujeito de direitos, em indivíduo em busca de afirmação no espaço social; a passagem de estruturas de solidariedade coletiva para as de disputa e competição; o enfraquecimento dos sistemas de proteção estatal às intempéries da vida, gerando um permanente ambiente de incerteza; a colocação da responsabilidade por eventuais fracassos no plano individual;
o fim da perspectiva do planejamento a longo prazo; e o divórcio e a iminente apartação total entre poder e política. A seguir, a íntegra da entrevista concedida pelo sociólogo à revista CULT.
CULT - Na obra Tempos líquidos, o senhor afirma que o poder está fora da esfera da política e há uma decadência da atividade do planejamento a longo prazo. Entendo isso como produto da crise das grandes narrativas, particularmente após a queda dos regimes do Leste Europeu. Diante disso, é possível pensar ainda em um resgate da utopia?

Zygmunt Bauman - Para que a utopia nasça, é preciso duas condições. A primeira é a forte sensação (ainda que difusa e inarticulada) de que o mundo não está funcionando adequadamente e deve ter seus fundamentos revistos para que se reajuste. A segunda condição é a existência de uma confiança no potencial humano à altura da tarefa de reformar o mundo, a crença de que "nós, seres humanos, podemos fazê-lo", crença esta articulada com a racionalidade capaz de perceber o que está errado com o mundo, saber o que precisa ser modificado, quais são os pontos problemáticos, e ter força e coragem para extirpá-los. Em suma, potencializar a força do mundo para o atendimento das necessidades humanas existentes ou que possam vir a existir.
CULT - Por que se fala tanto hoje de "fim das utopias"?

Bauman - Na era pré-moderna, a metáfora que simboliza a presença humana é a do caçador. A principal tarefa do caçador é defender os terrenos de sua ação de toda e qualquer interferência humana, a fim de defender e preservar, por assim dizer, o "equilíbrio natural". A ação do caçador repousa sobre a crença de que as coisas estão no seu melhor estágio quando não estão com reparos; de que o mundo é um sistema divino em que cada criatura tem seu lugar legítimo e funcional; e de que mesmo

Foto: Reprodução/Creative Commons

os seres humanos têm habilidades mentais demasiado limitadas para compreender a sabedoria e harmonia da concepção de Deus.
Já no mundo moderno, a metáfora da humanidade é a do jardineiro. O jardineiro não assume que não haveria ordem no mundo, mas que ela depende da constante atenção e esforço de cada um. Os jardineiros sabem bem que tipos de plantas devem e não devem crescer e que tudo está sob seus cuidados. Ele trabalha primeiramente com um arranjo feito em sua cabeça e depois o realiza.
Ele força a sua concepção prévia, o seu enredo, incentivando o crescimento de certos tipos de plantas e destruindo aquelas que não são desejáveis, as ervas "daninhas". É do jardineiro que tendem a sair os mais fervorosos produtores de utopias. Se ouvimos discursos que pregam o fim das utopias, é porque o jardineiro está sendo trocado, novamente, pela ideia do caçador.
CULT - O que isso significa para a humanidade de hoje?

Bauman - Ao contrário do momento em que um dos tipos passou a prevalecer, o caçador não podia cuidar do global equilíbrio das coisas, natural ou artificial. A única tarefa do caçador é perseguir outros caçadores, matar o suficiente para encher seu reservatório. A maioria dos caçadores não considera que seja sua responsabilidade garantir a oferta na floresta para outros, que haja reposição do que foi tirado.
Se as madeiras de uma floresta forem relativamente esvaziadas pela sua ação, ele acha que pode se deslocar para outra floresta e reiniciar sua atividade. Pode ocorrer aos caçadores que um dia, em um futuro distante e indefinido, o planeta poderia esgotar suas reservas, mas isso não é a sua preocupação imediata, isso não é uma perspectiva sobre a qual um único caçador, ou uma "associação de caçadores", se sentiria obrigado a refletir, muito menos a fazer qualquer coisa.
Estamos agora, todos os caçadores, ou ditos caçadores, obrigados a agir como caçadores, sob pena de despejo da caça, se não de sermos relegados das fileiras do jogo. Não é de admirar, portanto, que, sempre que estamos a olhar a nosso redor, vemos a maioria dos outros caçadores quase sempre tão solitária quanto nós. Isso é o que chamamos de "individualização".
E precisamos sempre tentar a difícil tarefa de detectar um jardineiro que contempla a harmonia preconcebida para além da barreira do seu jardim privado. Nós certamente não encontraremos muitos encarregados da caça com interesse nisso, e sim entretidos com suas ambições. Esse é o principal motivo para as pessoas com "consciência ecológica" servirem como alerta para todos nós. Esta cada vez mais notória ausência do jardineiro é o que se chama de "desregulamentação".

"Para que a utopia renasça, é preciso a confiança no potencial humano à altura da tarefa de reformar o mundo"

CULT - Diante disso, a esquerda não tem possibilidades de ter força social?

Bauman - É óbvio que, em um mundo povoado principalmente por caçadores, não há espaço para a esquerda utópica. Muitas pessoas não tratam seriamente propostas utópicas. Mesmo que saibamos como fazer o mundo melhor, o grande enigma é se há recursos e força suficientes para poder fazê-lo.
Essas forças poderiam ser exercidas pelas autoridades do engenhoso sistema do Estado-nação, mas, como observou Jacques Attali em La voie humaine, "as nações perderam influência sobre o curso das coisas e delegaram às forças da globalização todos os meios de orientação do mundo, do destino e da defesa contra todas as variedades do medo". E as forças da globalização são tudo, menos instintos ou estratégias de "jardineiros", favorecem a caça e os caçadores da vez.
O Thesaurus [dicionário da língua inglesa, de 1892] de Roget, obra aclamada por seu fiel registro das sucessivas mudanças nos usos verbais, tem todo o direito de listar o conceito de utópico como "fantasia", "fantástico", "fictício", "impraticável", "irrealista", "pouco razoável" ou "irracional". Testemunhando assim, talvez, o fim da utopia.
Se digitarmos a palavra utopia no portal de buscas Google, encontraremos cerca de 4 milhões e 400 mil sites, um número impressionante para algo que estaria "morto". Vamos, porém, a uma análise mais atenta desses sites. O primeiro da lista e, indiscutivelmente, o mais impressionante é o que informa aos navegantes que "Utopia é um dos maiores jogos livres interativos online do mundo, com mais de 80 mil jogadores".
Eu não fiz uma pesquisa em todos os 4 milhões de sites listados, mas a impressão que tive após uma leitura de uma amostra aleatória é que o termo utopia aparece em marcas de empresas de cosméticos, de design de interiores, de lazer para feriados, bem como de decoração de casas. Todas as empresas fornecem serviços para pessoas que procuram satisfações individuais e escapes individuais para desconfortos sofridos individualmente.

"A ideia de progresso foi transferida da ideia de melhoria partilhada para a de sobrevivência do indivíduo"

CULT - Nesta sociedade líquido-moderna, como fica a ideia de progresso e de fluxos de tempo?

Bauman - A ideia de progresso foi transferida da ideia de melhoria partilhada para a de sobrevivência do indivíduo. O progresso é pensado não mais a partir do contexto de um desejo de corrida para a frente, mas em conexão com o esforço desesperado para se manter na corrida. Você ouve atentamente as informações de que, neste ano, "o Brasil é o único local com sol no inverno", neste inverno, principalmente se você quiser evitar ser comparado às pessoas que tiveram a mesma ideia que você e foram para lá no inverno passado.
Ou você lê que deve jogar fora os ponchos que estiveram muito em voga no ano passado e que agora, se você os vestir, parecerá um camelo. Ou você aprende que usar coletes e camisetas deve "causar" na temporada, pois simplesmente ninguém os usa agora.
O truque é manter o ritmo com as ondas. Se não quiser afundar, mantenha-se surfando - e isso significa mudar o guarda-roupa, o mobiliário, o papel de parede, o olhar, os hábitos, em suma, você mesmo, quantas vezes puder. Eu não precisaria acrescentar, uma vez que isso deva ser óbvio, que essa ênfase em eliminar as coisas - abandonando-as, livrando-se delas -, mais que sua apropriação, ajusta-se bem à lógica de uma economia orientada para o consumidor. Ter pessoas que se fixem em roupas, computadores, móveis ou cosméticos de ontem seria desastroso para a economia, cuja principal preocupação, e cuja condição sine qua non de sobrevivência, é uma rápida aceleração de produtos comprados e vendidos, em que a rápida eliminação dos resíduos se tornou a vanguarda da indústria.
Leia, na íntegra, o texto inédito de Zygmunt Bauman, intitulado O triplo desafio

Wednesday, August 5, 2009

Empresas brasileiras aumentam presença no exterior; veja ranking

ALESSANDRA CORRÊA
da BBC Brasil em São Paulo

Apesar da crise econômica mundial, que atingiu o Brasil com mais força a partir do quarto trimestre de 2008, o ano passado registrou um avanço das companhias brasileiras nos mercados globais, com a aquisição de empresas e subsidiárias no exterior, aponta uma pesquisa divulgada nesta terça-feira.

Segundo o Ranking das Transnacionais Brasileiras, elaborado pela Fundação Dom Cabral em parceria com a Vale Columbia Center e com patrocínio da KPMG, 25,32% das receitas das 20 maiores transnacionais brasileiras em 2008 foram geradas em operações com o exterior.

Esse resultado representa um avanço em relação a 2007, quando a proporção das receitas no exterior sobre o total era de 24,16%, e também sobre 2006 (21,54%).

Os ativos no exterior das 20 maiores transnacionais do Brasil somaram R$ 199,52 bilhões em 2008, o equivalente a 27,66% do total. Enquanto o total de ativos dessas empresas cresceu 19,14% de 2007 para 2008, a evolução dos ativos no exterior chegou a 32,13%.

O número de funcionários no exterior também vem aumentando e cresceu 40,92% sobre o ano anterior, chegando a 27,52% do total da mão-de-obra.

Em 2008, o fluxo de investimento brasileiro no exterior realizado pelas transnacionais totalizou R$ 10,8 bilhões, segundo dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento). Esse volume, investido em operações de fusões e aquisições, representa cerca de um quarto do total de investimento brasileiro direto no exterior.

Ranking

O ranking classificou o nível de internacionalização de 41 empresas brasileiras com base em receita, ativos e funcionários no exterior em comparação aos resultados totais.

Nesses três indicadores, a taxa de crescimento em relação a 2007 foi maior nas operações internacionais do que nas nacionais.

"As empresas brasileiras cresceram mais no exterior em 2008 do que no mercado interno", diz a pesquisa. "Isso pode se dever a uma possível saturação do mercado nacional, frente a oportunidades de negócios crescentes no cenário internacional."

O ranking das empresas brasileiras mais internacionalizadas é encabeçado pela Gerdau, que tem 63% do total de ativos e mais de 50% das vendas e funcionários no exterior.

Em relação ao ano anterior, a empresa registrou aumento de 49% na receita no exterior, 52% nos ativos e 24% no número de funcionários em 13 países.

Impacto

Apesar do aumento do nível de internacionalização das empresas, porém, a crise mundial teve um impacto sobre as operações, especialmente a partir do quarto trimestre de 2008.

"A crise teve impacto mais visível nas operações internacionais do que nas domésticas, o que fez com que 14 empresas (das 41 listadas no ranking) reduzissem seu índice de internacionalização", diz o coordenador do Núcleo de Internacionalização da Fundação Dom Cabral, Jase Ramsey.

A pesquisa aponta que os resultados econômico-financeiros das operações no exterior ainda são menores do que os registrados no mercado interno, e que as empresas estão mais satisfeitas com o desempenho do mercado doméstico.

De acordo com o levantamento, "apesar dos grandes investimentos durante os primeiros três trimestres de 2008, as empresas vivenciaram a diminuição da demanda internacional, o que resultou em menores margens após setembro".

"Mas a crise também tem criado novas oportunidades, devido a preços relativamente mais baixos de ativos em outros países", afirma Ramsey.

Localização

De acordo com a pesquisa, os países da América Latina concentram 46,23% das subsidiárias das transnacionais brasileiras. Em segundo lugar vem a Europa, com 20,61%, seguida pela América do Norte, com 17,31%.

Segundo Ramsey, na comparação com 2007, houve um aumento da presença na América Latina e diminuição na Europa. Custos de logística, maior semelhança cultural e facilidades de acordos comerciais são citados como fatores que podem influenciar as empresas a concentrar suas atividades em países mais próximos em um momento de crise como o atual.

O impacto da crise varia de acordo com o setor de atuação, mas poderá revelar uma desaceleração na internacionalização das empresas em 2009, segundo a pesquisa.

No entanto, quando questionadas sobre suas expectativas de desempenho para 2010, as transnacionais indicam confiança na recuperação da economia e no futuro crescimento de vendas, lucratividade e market share, tanto no mercado doméstico como no mercado internacional.

Segundo os autores do estudo, apesar de afetadas pela crise, as transnacionais brasileiras "não descartam seu comprometimento com a internacionalização", e a expectativa é de que o fluxo de investimento brasileiro no exterior continue crescendo.

"As transnacionais brasileiras se mostraram bem-sucedidas em sobreviver à crise", diz Ramsey. 'E estão cautelosamente otimistas em relação a 2010.'

Ranking das Transnacionais Brasileiras

1. Gerdau (siderurgia e metalurgia)
2. Sabó (autopeças)
3. Marfrig (alimentos)
4. Vale (mineração)
5. Metalfrio (metal-mecânica)
6. Odebrecht (construção)
7. Aracruz Celulose (papel e celulose)
8. Tigre (material de construção)
9. Artecola (química)
10. Suzano Papel e Celulose (papel e celulose)

Fonte: Fundação Dom Cabral