Saturday, May 30, 2009

Administrando o petróleo: o pragmatismo do Brasil ofusca o nacionalismo da Venezuela

30/05/2009

Administrando o petróleo: o pragmatismo do Brasil ofusca o nacionalismo da Venezuela

Financial Times
A América Latina é um estudo do contraste de como os países administram seu petróleo. No México e na Venezuela, o Estado e a indústria do petróleo vivem em uma simbiose tratada como nacionalismo de recursos - mas suas companhias estatais de petróleo parecem cada vez mais gigantes feridos. A Petrobras do Brasil, administrada com uma postura mais aberta, agora ofusca suas irmãs do Norte. Isto mostra que o pragmatismo, e não a xenofobia, é a melhor salvaguarda dos interesses nacionais.

  • AP

    Em 2 de setembro de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da primeira extração simbólica de petróleo da camada pré-sal em plataforma da Petrobras no campo de Jubarte, litoral sul do Espírito Santo. Na ocasião, Lula projetou investimentos de mais de R$ 2 trilhões na economia brasileira até 2017 puxados pela produção da estatal. "A Petrobras é a mãe da industrialização desse país", afirmou

A produção de petróleo do Brasil rivaliza a dos maiores exportadores da região, mas ainda não é autossuficiente. A descoberta pela Petrobras em 2007 do campo de Tupi, em alto-mar, mudará isso. Edson Lobão, o ministro das Minas e Energia do Brasil, disse ao "FT" nesta semana que poderá abrir uma rodada de licitação para Tupi no próximo ano.

Ao convidar companhias de petróleo privadas para disputar concessões, o Brasil continua contrariando a tendência regional: Bolívia e Venezuela confiscaram as participações privadas na produção de gás e petróleo. A Petrobras também é parcialmente privatizada, apesar do Estado reter a maioria das ações com direito a voto.

A abertura para o setor privado é uma escolha sábia. Tupi é comparado ao Mar do Norte. O paralelo vai além das reservas: como no Mar do Norte, os campos brasileiros em alto-mar apresentam desafios tecnológicos consideráveis. O petróleo fica sob camadas espessas de rocha e sal em águas com milhares de metros de profundidade. Não querer a melhor perícia do mundo é arrogância.

As companhias de petróleo estatais mais bem-sucedidas do mundo são abertas ao setor privado. A saudita Aramco foi comprada de proprietários privados, em vez de fundada do zero, para reter o conhecimento tecnológico. A norueguesa Statoil aprendeu por meio de um consórcio de companhias de petróleo estrangeiras antes de realizar suas primeiras operações nos campos do Mar do Norte.

Estas são exceções. Com maior frequência, as companhias estatais de petróleo infectam a política de seus proprietários públicos - seja se transformando em um Estado dentro do Estado, como em Angola, ou dando aos políticos uma fuga tentadora demais da responsabilidade. A Pemex do México há muito é o cofrinho do governo. Hugo Chávez, o presidente da Venezuela, força a PDVSA a pagar por programas sociais fora do orçamento público, minando sua capacidade de continuar produzindo petróleo.

Politização não é algo estranho para a Petrobras: o Senado brasileiro votou a favor de investigá-la por supostas concessões ilegais de contratos. A pressão por controle político apenas aumentará à medida que Tupi for desenvolvido. Para evitar isso, a Petrobras precisa ser tratada como qualquer empresa comercial. A proposta de Lobão de manter a participação acionária do Estado em uma empresa separada deveria ser aprovada. O Brasil também precisa implantar uma estrutura regulatória que permita à Petrobras competir em termos iguais com empresas privadas.

A maximização do valor que um país extrai de seu petróleo exige colaboração, não confrontação, com o setor privado. Uma empresa estatal pode ajudar se forçada a agir em termos comerciais. Isso, e não o solipsismo da Venezuela e do México, é que representa o verdadeiro nacionalismo de recursos.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Thursday, May 28, 2009

Pedestres

São Paulo, quinta-feira, 28 de maio de 2009 

CONTARDO CALLIGARIS 


Pedestres


Talvez atravessar sem olhar seja um jeito de afirmar que a dignidade importa mais que a vida






HÁ COISAS que a gente só enxerga quando é estrangeiro, ao chegar a um país desconhecido. E há coisas do país onde a gente mora que só nos parecem curiosas por comparação, quando encontramos costumes diferentes.
Foi suficiente estar na Itália nestes dias para me dar conta de um hábito comum entre pedestres paulistanos menos abastados (não sei se a observação vale para todo o Brasil).
O fato é que percebi que pedestres de várias culturas, na hora de atravessar a rua, comportam-se de maneiras diferentes, talvez reveladoras de traços culturais específicos.
Por exemplo, os pedestres de Boston (Massachusetts, EUA), descem da calçada (nas faixas ou fora delas, tanto faz) encarando os carros numa atitude de desafio. Seu olhar e sua cabeça erguida parecem dizer: "Longe de me atropelar, você não ousará sequer me ameaçar, e saiba que não recuarei, pois a Lei (mais do que o Senhor) é meu pastor". Eles atravessam a rua num ato de fé no valor soberano dos tribunais e das convenções.
Já os pedestres de Nova York descem da calçada apostando só em sua habilidade física. Não contam com a cortesia dos motoristas, nem com a obediência generalizada às regras do trânsito; mas com sua própria destreza. Por isso, se aventuram na rua sem sequer esperar uma interrupção do fluxo dos carros: evitam um, param para deixar passar outro, correm antes que o terceiro chegue e, como corredores olímpicos, pulam para a linha de chegada, que é a calçada oposta. Vistos de longe, se parecem com os toureadores amadores da "Fiesta" de Pamplona, na Espanha, quando todos brincam com uma manada de touros.
Essa diferença entre os pedestres de Boston e os de Nova York é uma apresentação adequada da diferença de espírito entre os cidadãos das duas metrópoles.
Os pedestres europeus são ainda uma terceira categoria. Eles não acreditam nem na lei nem em sua própria destreza: avançam (também dentro ou fora das faixas, tanto faz) desconfiados, tentando adivinhar as intenções dos motoristas e, quando não conseguem adivinhá-las direito, eles param, imóveis no meio do asfalto, supondo que os motoristas saberão evitá-los, na última hora. Há uma relação desse comportamento com a "docilidade transferencial" dos europeus, ou seja, a facilidade com a qual eles parecem reconhecer uma "autoridade". Essa característica, aliás, faz da Europa o paraíso dos palestrantes: em regra, se alguém pergunta, é sempre com a máxima deferência. Dos anfiteatros às ruas: o pedestre europeu prefere contar com a habilidade dos motoristas do que com a sua própria.
Agora, muitos pedestres paulistanos, sobretudo quando atravessam fora das faixas ou com o sinal vermelho (para eles), exibem um comportamento que lhes é absolutamente próprio: eles não olham. Não digo que eles não olham antes de se aventurar no asfalto, isso vale também para os nova-iorquinos. É durante a travessia que, em vez de se voltar para os carros que se aproximam, eles olham reto para frente. E, caso eles atravessem uma rua de mão única na diagonal (o que já é uma péssima ideia), eles dão as costas para os automóveis que estão chegando.
Duvido que esse comportamento seja a consequência de uma confiança na lei, parecida com a dos bostonianos. Qualquer pedestre no Brasil sabe que os motoristas não se preocupam muito com o Código de Trânsito (quem assistiu a "Happy Hour", o monólogo de Juca de Oliveira, agora no teatro Jaraguá, em São Paulo, já riu bastante com a vida perigosa do pedestre brasileiro).
O que acontece, então, com os pedestres paulistanos? Será que, fatalistas, deixam o futuro imediato totalmente nas mãos de Deus? Ou desconfiam radicalmente em sua própria habilidade, que lhes permitiria reagir na última hora, esquivando, se for preciso, o carro assassino?
Considerando as compensações irrisórias pagas pelo seguro obrigatório em caso de morte, é de se pensar que talvez o pouco valor atribuído à vida contamine a própria vítima potencial. Algo assim: "Atravesso e nem olho, porque minha vida mal vale o esforço de me precaver".
Há outra interpretação, mais heroica: talvez, para as vítimas que não valem nada, atravessar sem olhar seja um modo de afirmar que sua dignidade é mais importante que a própria vida: "Acha que sou um escravo? Pois é, sou capaz, como o mestre antigo, de desafiar a morte. Resta saber se você será capaz de me matar"

Wednesday, May 20, 2009

CULT & Caetano

CULT - Paulo Arantes fala da tendência sociológica que vê uma "brasilianização do mundo", ou seja, a exportação do nosso modelo social de favelização, precarização do trabalho, distanciamento maior entre centro e periferia e também do nosso jeitinho para negociar com a norma. Para essa tendência, o Brasil virou o país do futuro, mas de um futuro nada romântico. Em "Falso Leblon", por outro lado, você pergunta melancolicamente "o que faremos do Rio quando, enriquecendo, passarmos a dar as cartas, as coordenadas de um mundo melhor". Que mundo seria esse, inspirado pelo Brasil?
      
C aetano - Seguramente não seria o mundo descrito pelo americano que Paulo Arantes cita. O Brasil não corresponde, quando o olho com lucidez, à visão que Paulo Arantes tem dele. No início do século 20, você lê a comparação feita por Lima Barreto entre o Rio e Buenos Aires. Antes disso, você lê em toda parte que as universidades e a imprensa chegaram aos países hispanoamericanos séculos antes de chegarem ao Brasil. No entanto hoje eu tenho às vezes de ser condescendente com argentinos que sentem despeito da arrancada brasileira. E Machado e Euclides chegaram aonde chegaram. E Guimarães Rosa. E João Gilberto, Jobim, Niemeyer, Pelé, Chico Buarque. Partimos de um país selvagem, inculto, de cidades sujas, cheias de negros ex-escravos e mestiços desrespeitados. As mudanças que tenho visto desde a minha adolescência são muito rápidas e muito grandes para que os mais letrados entre nós só repitam que não andamos. É loucura. 
Mas sem crítica e sem lamentos tampouco se anda. Então está bem. Mas alguém precisa alertar para os conseguimentos, senão não há responsabilidade. O que se ouve em "Falso Leblon" é algo que pode se dar ao luxo de ser dito em tom melancólico: não precisa de euforia. Um solitário entristecido pela visão de uma bela jovem degradada pode meditar sobre o possível enriquecimento e fortalecimento do país onde nasceu e vive. Jorge Mautner diz que "ou o mundo se brasilifica ou vira nazista". Eu sou diferente de Mautner, mas também o amo muito por dizer isso. Nosso "jeitinho para negociar com a norma" talvez contenha mais elementos do que sonha a sociologia de Arantes. Nenhum país real produz um futuro real que seja o que hoje podemos chamar de "romântico". Se o futuro que o Brasil esboça é desde já criticável, é sinal de que já estamos longe de poder simplesmente rir do livro de Stefan Zweig. E que o Brasil já é visto como algo que desenha mesmo o futuro do mundo. 
Eu não estou tão convencido, apesar de Arantes e seus colegas aglófonos catastróficos. Há europeus continentais (é o caso de um italiano que escreveu "Hedonismo e medo") que veem o Brasil como modelo para o futuro do mundo - para o bem e para o mal. Mais para o bem, já que o "jeitinho para negociar com a norma" é visto por eles como um modo interessante (e misteriosamente promissor) de metabolizar os males sociais.
      
CULT - Você foi uma das primeiras pessoas no Brasil a chamar a atenção para o pensamento de Roberto Mangabeira Unger. No livro O que a esquerda deveria propor?, o atual Ministro defende um pensamento alternativo de esquerda, para além da nostalgia e da social-democracia. O que mais te atrai nessa proposta?
      
Caetano - Quem me deu a dica foi José Almino. Ele me mandou ler os artigos de Mangabeira na Folha. Desde os anos 80 que o que ele escreve me interessa. É uma contribuição sofisticada e original. Para mim, o importante do Brasil é ser essa oportunidade de originalidade. Lendo Mangabeira, senti que gente como ele pode elaborar o que eu não poderia senão sonhar. Sempre me interessei por alguma coisa que supere o estágio a que chegamos na história humana. Sou artista, me sinto no direito de não fazer por menos. Zizek, que, erroneamente, contrapõe sua preferência por Chávez ao apoio a Lula dado por Toni Negri, menciona Mangabeira de raspão entre os pensadores de esquerda que tentam pensar algo novo. Pois bem, requentar Stalin e Khomeini para se mostrar valente diante da lucidez liberal não me parece novo. É louvar a velha sangueira que produz opressão. Mangabeira vai fundo na análise do conceito de "capitalismo" em Marx, por exemplo, para chegar a propor grandes transformações que prescindam da guerra. Isso para mim é novo. É sonhar com mudanças que mudem mesmo. Eu já sonhava isso para o Brasil antes de conhecer o professor Agostinho da Silva. Ler Mangabeira, com essa perspectiva, apoiando Brizola quando eu apoiava, Ciro quando eu apoiava, me fez repetir o nome dele por mais de uma década para uma imprensa que se recusava a publicá-lo. Há algo de religioso em tudo isso. A aposta dele, como a de Agostinho, é num milagre. Eu não sou religioso. Mas desejo mudanças do tamanho de milagres. Isso não me parece necessariamente irrealista.
         
CULT - O mandato de Lula termina no ano que vem. Em 2006, em entrevista à CULT, você disse que, embora o achasse mítico e simpático, não votaria na sua reeleição de jeito nenhum. Você acha que o "esse é o cara" do Obama mostra apenas que Lula é um mito que ultrapassou fronteiras ou acha que isso sinaliza de fato uma transformação geopolí-tica maior?
       
Caetano - Obama se espelhou em Lula. Até "boa pinta", que ele é mas Lula não, rolou na fala. Mas esse espelhamento não teria permissão para se declarar se não conviesse ao poder americano que Lula fosse agraciado com elogios. Há transformação. Lula e Obama a simbolizam bastante bem. E a crise dá espaço para hipóteses ambiciosas. Ou meramente catastróficas. Mas o Brasil que saiu da era das ditaduras, com a abertura do mercado efetivada por Collor - e que passou pela globalização nas mãos de Fernando Henrique e Lula - é um país com maior peso internacional. Vi ontem Anabasys, o belo filme sobre a feitura de A idade da terra, e nele ouvi Glauber xingar Delfim Neto. Glauber o faz de um ponto de vista da esquerda estatista que ele representava ao apoiar Geisel (corretamente lido como um estatista-nacionalista que faria a abertura), embora a esquerda o atacasse por apoiar um presidente militar. Hoje Lula ouve conselhos de Delfim, a quem faz elogios. 
Lula vive a euforia de ver o amadurecimento econômico do país acompanhado de um crescente prestígio das coisas brasileiras aos olhos do mundo. Nisso eu me identifico mais com ele do que com seus críticos. À esquerda ou à direita. Embora eu seja mais cético e, em comparação, um tanto melancólico. Sua chegada ao poder, a de um operário iletrado, é um êxito enorme na Europa desde o começo. Durante a crise do mensalão, vi reações de proteção a Lula na Itália e na França, mais até do que entre petistas brasileiros. Lula é figura internacional. Obama reafirmou isso. Os Estados Unidos precisam de um Lula forte e um Chávez negociador. Ninguém é burro nessa turma. Votei em Lula chorando de emoção. Nunca me arrependi de tê-lo feito. Acho que ele se sente capaz de aproveitar o plano real de FH, o milagre brasileiro de Delfim/Medici, a industrialização de Juscelino (que, aliás, tornou possível seu surgimento) e o populismo getulista. Nunca antes neste país. 
Mas nunca desejei que Lula se reelegesse. Nem desejo que ele eleja Dilma e volte em seguida. Aliás, em minha impaciência, votei contra (e torci contra) a reeleição de FH e de Lula. Achei que 16 anos de esquerda uspiana no poder seriam demais. Mas até que o resultado é, para nossos parâmetros, bastante bom. Mesmo porque, mal chegam lá, eles se veem longe da visão que os engendrou como figuras políticas fortes. Muitas vezes se chama de traição a simples evidência de amadurecimento. Odeio políticas antiquadas de favores, corrupção e fisiologismo, odeio mensalão também - mas não desprezo a aproximação entre Lula e Delfim, nem entre FH e Toninho Malvadeza. No primeiro caso, era preciso chegar lá - e nenhum presidente não petista poderia ter um economista da ditadura, apoiador do AI-5, em posição de guru. No segundo, às vezes só se supera um quadro arcaico confundindo-se com ele e, astuciosamente, desconstruindo-o. No final do governo FH, ACM, Jader Barbalho e Sarney pareciam figuras superadas. Voltaram com tudo na era Lula. Mas Lula tem força própria e uma vaidade histórica do tipo que me parece útil agora. Pareço dizer loucuras? Mas se sua pergunta já começa com aquela do Paulo Arantes...
 
CULT - Se fosse preciso (você pode recusar tal necessidade), como você se definiria politicamente? De esquerda, de direita, de centro, social-democrata, liberal?
     
Caetano - Nessa hora eu adoraria ser americano: nos EUA "liberal" quer dizer "de esquerda". Eu estaria unido a palavras que produzem bem-estar. Aqui tenho de me contorcer e dizer que sou de uma esquerda transliberal. Digo também que sou de centro mas não estou em cima do muro: estou muito acima do muro. Mas isso tudo é fanfarronice de artista. 
Eu aplico o termo "direita" a conservadores reacionários. Todo o pessoal de esquerda gosta de citar Alain dizendo que se alguém diz que não há tal divisão "direita e esquerda", esse alguém é de direita. A observação é aguda e engraçada. Mas pode servir justamente a propósitos conservadores. Volto a Antonio Cicero: há uma reação à modernidade que se organiza em áreas do que chamamos direita e em áreas do que chamamos esquerda, hoje. Concordo com ele que desqualificar os direitos individuais, os direitos humanos propriamente ditos, é uma manobra conservadora profunda - que você pode encontrar tanto em Olavo de Carvalho quanto em Slavoj Zizek. Tanto no cardeal que excomunga os médicos que fizeram o aborto da menina estuprada pelo padrasto quanto no dirigente comunista que nega o direito de ir e vir dos cidadãos do seu país. Ou o direito de crítica. Cicero não é bobo de pensar que todos os sofisticados da academia não pensam que ele simplesmente quer limpar o terreno de toda a riqueza conceitual que vem desde Heidegger e Wittgestein, passando pelos frankfurtianos, até os pós-estruturalistas, para voltar - num movimento de contravanguarda filosófica - ao racionalismo vulgar dos iluministas. Cicero sabe que enfrenta essa questão com bravura. 
Para ser sincero, com meu espírito místico e meus instintos de vanguarda, não sinto as coisas como ele sente. Além de ser muito ignorante para de fato entrar no debate. Mas não dá para seguir em frente repetindo Adorno ou ecoando Deleuze sem responder as questões que Cícero põe. Ele vem de um marxismo estruturalista (Althusser) e reencontra o melhor do liberalismo inglês e do racionalismo francês porque pensou mais do que os que apenas se ilustraram ou mesmo se refinaram muito. Ou seja: para se ir adiante tem-se que superar a crítica que ele faz. Eu o encontro em meu realismo radical, em minha paixão pela lucidez e pela justiça. Somos amigos e ele também é artista (na verdade, poeta), mas se eu encontrasse O mundo desde o fim por acaso, e não conhecesse o autor, eu ficaria tomado. Eu considero minhas confusões e a limpidez do pensamento de Cicero à esquerda de todas as formas de negação da modernidade. Digam-me que uma razão unívoca não pode dar conta dos nós da superpopulação (sou louco pelo Lévy-Strauss deTristes Trópicos - e adorei ler hoje que Euclides da Cunha profetizou com grande clarividência os problemas ecológicos que enfrentamos), dos enigmas da mecânica quântica, do mistério complexo das culturas. De acordo. Mas não usem esse espantalho para desenterrar formas já testadas e já rejeitadas. Pode ser que haja um grande retrocesso na civilização. Mas ele não terá em mim um de seus arautos

Monday, May 18, 2009

IX Sampa InterNations Get-together


Dear InterNations members,

Here we go again!

For this time we’ve set a place at the calm, familiar and very traditional Pompéia neighborhood.

We are suggesting a Saturday afternoon of ESPETINHOS & CAIPIRINHAS & LIVE BRAZILIAN MUSIC in a very friendly “garden kind” ambiance.

Couvert artístico: R$3,00.  The ESPETINHOS are served in a “rodizio style” but you only pay for the ones you pick.

Please don’t forget to register for this event by clicking the “Attend Event” button and feel free to bring your international friends.

See you there, Mariana

Host

Mariana Barros - InterNations Ambassador

Event Date

Start date: 05/30/2009, 16:00 End date: 05/30/2009, 23:59

Event Location

Casa do Espeto Rua Cotoxó, 582, Pompéia São Paulo Brazil

Email: www.casadoespeto.com.br.  Phone: 3676-0436.